domingo, janeiro 08, 2006

Atalhos


Na estrada do falso, em implantes
de adoração, um novo cadafalso.
Como o voo de um faisão, os amantes

perseguem-se altivos e cruéis
nos seus despiques lascivos,
em quartos empíricos de hotéis.

Passa para o impulso a convulsão
da mente, do coração para o pulso
a força carente em sagrada união.

Pouco matrimonial, a identidade
dos humanos é a parelha sazonal
que une, em planos de sonoridade,

o timbre à boca, a voz à língua,
em metáfora rouca, quase louca,
de apagar, por fora, a míngua.

Em escala preliminar, a imagética
soluciona toda a surdina do pensar
quando equaciona os berros do olhar.

Porém, na falácia de observarem bem,
no patamar do activo, da experiência,
focam-se no trancar da divisão além,

e cerram a paisagem que existira,
por dimensionar, em inútil embalagem.
De um atalho o tomar é adiar a ira.